Temporada de furacões de 2020 bate recordes

A temporada de furacões do Atlântico deste ano bateu o recorde de mais ativa já registrada. As principais razões para uma temporada tão ativa são três. A primeira se deve ao resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial (La Niña). As condições térmicas dessa parte do Pacífico afetam o cisalhamento vertical do vento sobre o mar do Caribe e arredores. Com o cisalhamento menor, as tempestades encontram um ambiente atmosférico mais favorável para intensificarem.

Com o Pacífico Equatorial resfriado, há menor cisalhamento em parte do Atlântico.

O segundo fator é a monção africana. Dados de reanálise comprovam que a atividade convectiva entre o Sahel e as florestas tropicais ao sul foi acima da média. Isso sugere que mais tempestades viajaram da África em direção ao Atlântico tropical através do jato tropical de leste. A monção da África empenha um papel relevante na ciclogênese tropical do Atlântico.

Monção africana com atividade convectiva acima da média entre junho e novembro.

O terceiro e último elemento é a temperatura da superfície do mar. Entre junho e meados de novembro, as águas estiveram mais quentes em parte do Atlântico Norte, especialmente na região do mar do Caribe.

A sobreposição dos ingredientes mencionados acima explica uma temporada recorde de sistemas tropicais. Até o momento houveram 31 ciclones tropicais ou subtropicais, dos quais 30 receberam nomeação, sendo que 13 atingiram a classificação de furacão e 5 de grandes furacões. No entanto, nenhum sistema atingiu a categoria máxima de furacão.

A temporada de 2020 foi a segunda na história depois de 2005 a zerar os nomes de sistemas previamente estabelecidos pela NOAA, fazendo os meteorologistas recorrerem ao alfabeto grego para nomear os novos sistemas formados. Muitos outros recordes foram quebrados, como o de maior número de tempestades (12) que fizeram landfall Estados Unidos desde 1916.

Lista de nomes utilizada para nomear os sistemas tropicais.

Essa temporada foi também a primeira onde 7 sistemas nomeados atingiram os EUA antes de setembro, época de maior atividade dos ciclones tropicais de acordo com a climatologia, além de ser a quinta temporada consecutiva de sistemas acima da média a partir do ano de 2016.

Furacão Iota se aproxima da América Central neste domingo (15).

A atenção está voltada agora para o furacão Iota no mar do Caribe. O furacão de categoria 1 está apresentando rápida intensificação e deve atingir a América Central como um grande furacão (provavelmente categoria 3 ou 4) entre segunda e terça-feira. As previsões são de fortes tempestades, ventos prejudiciais, inundações catastróficas e deslizamentos de terra, sobretudo entre a Nicarágua e o Honduras. Iota atingirá a mesma região da América Central cerca de 12 dias após o furacão Eta fazer landfall na Nicarágua e deixar um rastro de destruição, mortes e desaparecidos.

A temporada de furacões do Atlântico de 2020 que iniciou oficialmente no dia 1 de junho, se encerra no dia 30 de novembro. Para previsões de tempo e clima específicas para o seu negócio, fale com nossos meteorologistas pelo e-mail contato@temponline.com.br