La Niña está configurada

De acordo com um comunicado da NOAA divulgado na última quinta-feira (10), a La Niña se desenvolveu e tem 75% de chance de durar até o verão, o que pode impactar o início do período chuvoso, bem como os padrões de temperatura no Brasil.

La Niña corresponde ao resfriamento anômalo e periódico das águas superficiais do centro-leste do Oceano Pacífico Equatorial. Quando as águas são mais frias do que a média em pelo menos 0,5°C, junto com indicações atmosféricas consistentes por pelo menos três trimestres consecutivos, a La Niña é considerada presente.

Anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM) no dia 11 de setembro de 2020 no Oceano Pacífico.

Monitorar as condições térmicas do Oceano Pacífico é importante porque ele afeta os padrões climáticos em todo o mundo. No entanto, as anomalias climáticas forçadas por eventos de El Niño e La Niña em regiões remotas nem sempre são semelhantes, já que o tipo, a intensidade e a época em que esses fenômenos ocorrem variam. Além disso, eles são só uma peça do grande quebra cabeça do sistema atmosférico.

A maioria dos modelos sugerem a permanência da La Niña pelo menos até fevereiro de 2021. “O consenso dos previsores apoia essa visão e favorece um evento no limite para ser considerado moderado durante a temporada de novembro a janeiro”, disse a NOAA em sua previsão.

Previsão probabilística do El Niño Oscilação Sul (ENOS) durante os próximos meses.

Tardes quentes e baixos índices de umidade relativa do ar estão se repetindo diariamente em grande parte do Brasil após a onda de frio de agosto. As queimadas descontroladas estão mantendo incêndios florestais difíceis de serem combatidos. A área destruída pelo fogo já passou de 2 milhões de hectares só no Pantanal, tamanho equivalente a 10 vezes as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro juntas.

O começo de setembro é normalmente seco em grande parte do país, mas a pouca chuva desta época ainda está abaixo da média. Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), a segunda quinzena deste mês se aproxima do fim com chuva abaixo da média em quase todo o território nacional, conforme o mapa abaixo.

Anomalia de precipitação em setembro de 2020. (Fonte: CPTEC)

Embora alguns padrões climáticos associados ao ENOS sejam conhecidos, a intensidade de um evento El Niño ou La Niña, bem como a região em que eles se desenvolvem – podendo ser no leste ou centro do Oceano Pacífico Equatorial – implica em respostas climáticas diferentes ao Brasil.

Para os próximos meses os modelos sugerem um resfriamento mais significativo na parte mais central do Oceano Pacífico Equatorial. Um estudo de 2015 identificou que esse tipo de La Niña na primavera pode intensificar a Alta Pressão Subtropical no centro-leste do país.

Configuração média para eventos de La Niña na parte central do Oceano Pacífico Equatorial durante a primavera austral.

Com a La Niña se desenvolvendo na primavera, o início do período chuvoso pode se atrasar nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Para previsões climáticas detalhadas para o seu negócio, entre em contato com nossos meteorologistas pelo e-mail contato@temponline.com.br