Graves incêndios florestais no oeste dos EUA

Milhares de pessoas estão em alerta com os grandes incêndios florestais que consomem a vegetação do oeste dos Estados Unidos a mais de um mês. Pelo menos 28 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas.

Destroços deixados pelos incêndios em Talent, no Oregon (EUA) durante a sexta-feira (11). (Fonte: G1)

A área queimada pelo fogo corresponde ao tamanho de Sergipe e só nas últimas 3 semanas mais de 4 mil residências foram destruídas. Os principais focos estão nos estados de Oregon e Califórnia. No Oregon, epicentro dos incêndios, o alerta de fogo chegou a meio milhão de habitantes, dos quais 40 mil precisaram ser retirados de suas residências.

Na Califórnia a situação também é grave, já que três dos cinco maiores incêndios florestais da história do estado estão em andamento agora, segundo as autoridades. Americanos que vivem afastados da costa oeste e até o norte do México estão presenciando dias cinzentos, conforme os ventos mudam de direção e transportam a fumaça.

Imagens impressionantes foram divulgadas nos últimos dias do céu avermelhado em muitas cidades da costa oeste. Do alto, os satélites revelam a gravidade dos incêndios através das densas plumas de fumaça que se movem pelo Oceano Pacífico e América do Norte.  

Imagem do satélite GOES-17 no dia 09 de setembro de 2020.

Os primeiros indícios de fogo deste evento foram registrados entre o final de julho e o começo de agosto. No entanto, com as condições atmosféricas favoráveis os incêndios se alastraram e se agravaram entre meados de agosto e setembro.

A falta de chuva e as altas temperaturas no oeste dos Estados Unidos prepararam o cenário para esses incêndios. Contudo, o gatilho do fogo pode ter sido antrópico, inclusive criminal. O padrão climático associado exibiu em média uma crista anômala no oeste do país, que manteve a corrente de jato desviada para o norte na costa oeste e depois para o sul sobre as Montanhas Rochosas.

Configuração atmosférica média (AGO/SET) no oeste dos Estados Unidos que agravou as condições para os incêndios florestais.

Com esse padrão de nível superior persistindo, os sistemas de tempestades foram desviados da Califórnia e Oregon, o que potencializou a seca e o calor nesses estados. Entretanto, a topografia local é outro fator importante no contexto dos incêndios da costa oeste.

Os ventos de nordeste ao deixarem as Montanhas Rochosas, descem em direção as planícies litorâneas e são comprimidos por entrarem em uma região de maior pressão, o que os meteorologistas chamam por compressão adiabática. Esse processo aumenta a temperatura do ar em uma taxa de aproximadamente 1°C a cada 100 metros descidos.

Regionalmente esses ventos são denominados Santa Ana ou “ventos do diabo”. Apesar de serem comuns no outono, podem ser registrados em qualquer época do ano. Os ventos Santa Ana são quentes, secos e sopram forte, gerando o alastramento dos focos e dificultando o combate dos incêndios.

Os episódios de incêndios na costa oeste dos Estados Unidos que estão se agravando ao longo dos anos, parecem ser uma complexa interação entre fatores muito diferentes, a saber: processos de teleconexão atmosférica, mudanças climáticas, efeitos regionais (topografia) e efeitos antrópicos.

Anomalia de agosto a meados de setembro de 2020 da velocidade potencial e da função de corrente. (Fonte: NCEP/NCAR)

Campos anômalos da circulação global sugerem que a alta de bloqueio no oeste dos Estados Unidos está no mesmo contexto da alta de bloqueio sobre o Brasil. Há evidências de que a região do oceano Índico ajudou a modular a distribuição global da pressão a jusante e, consequentemente, o posicionamento da corrente de jato.  

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