Grande tornado foi registrado no deserto da Arábia Saudita

Um vídeo de um tornado no deserto da Arábia Saudita foi divulgado nos últimos dias e surpreendeu meteorologistas e admiradores do tempo ao redor do mundo.

O fenômeno ocorreu no último dia 5 na região da cidade de Sakaka, na província de Al-Jawf e apresentou ventos superiores a 200 km/h e deslocamento horizontal a uma velocidade de 37-75 km/h. “O tornado que se formou a sudeste de Sakaka é um dos maiores já documentados na Arábia Saudita”, disse o professor Dr. Abdullah Al-Misnad do Departamento de Geografia da Universidade al-Qassim.

No twitter abaixo é possível identificar o que parece ter sido outro tornado (diferente do que foi mostrado acima) na Arábia na mesma data . Contudo, a escassez de informação impede essa confirmação. Pode ser que se trate do mesmo tornado, só que em outro momento do seu ciclo de vida.

Embora o deserto seja a região menos provável de se presenciar tempestades tornádicas, certas configurações atmosféricas podem reservar surpresas como a que vimos na Península Arábica.

Imagens de satélite mostram que no dia 5 de dezembro se formaram tempestades severas sobre o deserto do norte da Arábia. O formato em “V” das nuvens é um indicativo de forte cisalhamento vertical do vento, sendo uma das assinaturas clássicas de supercélulas observadas por satélite. No entanto, imagens de radares meteorológicos da velocidade radial seria o mais apropriado para identificação de mesociclones.

Pela estrutura das nuvens e pela força do tornado em questão, é possível atribuir que se trate de um tornado supercélula. Mas o que explica a formação das tempestades severas naquele dia?

Uma nuvem supercélula depende de um ambiente atmosférico que apresente cisalhamento vertical do vento, instabilidade e umidade. Apesar das dosagens diferenciadas desses ingredientes no dia 5 – o cisalhamento era muito maior do que os demais – houve uma rápida interação entre eles sobre o deserto.

Configuração nos baixos níveis sobre a Península Arábica em 5 de dezembro de 2020.

O padrão de nível superior exibiu um distúrbio embebido em um forte jato subtropical, levando a formação de uma zona de baixa pressão sobre a Península Arábica e garantindo o cisalhamento vertical profundo. Em resposta a essa configuração, a umidade do mar Vermelho foi atraída para o interior do deserto e forçada a subir ao longo de uma linha de convergência de ventos sobre a Arábia Saudita, o que formou algumas trovoadas severas na região.

Configuração nos altos níveis sobre a Península Arábica em 5 de dezembro de 2020.

Condições de mau tempo associadas a inundações e até granizo não são tão raras no deserto da Arábia. Esses eventos tendem a acontecer quando o jato migra para o sul e estabelece a trilha de tempestades sobre a região.

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